
O governo federal brasileiro instituiu, em 19 de maio de 2025, uma nova Política de Educação a Distância (EAD), por meio de decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação, Camilo Santana. As novas diretrizes buscam promover um EAD de maior qualidade, ampliar o acesso ao ensino superior e valorizar a formação dos estudantes e o trabalho dos professores.
Embora a informação sobre a assinatura do decreto seja amplamente divulgada, o número específico do decreto que oficializa a nova política ainda não foi consistentemente destacado nas notícias divulgadas até o momento.
Mudanças e novas regras da Nova Política de Educação a Distância
- Cursos proibidos em EAD: a nova política proíbe a oferta de cinco cursos de graduação exclusivamente na modalidade a distância: Medicina, Direito, Odontologia, Enfermagem e Psicologia. Estes cursos deverão ser ofertados apenas presencialmente, devido à importância das atividades práticas, laboratoriais e estágios em sua formação. O Ministério da Educação (MEC) poderá incluir outras carreiras nesta restrição futuramente.
- Novas modalidades de ensino: o decreto estabelece três modalidades de oferta de cursos:
- Presencial: no mínimo 70% da carga horária deve ser em atividades presenciais (aulas ou estágios), com os 30% restantes podendo ser online. Anteriormente, o limite para atividades online era de 40%. As aulas ao vivo terão um limite de 70 alunos por turma.
- Semipresencial (Híbrido): esta nova modalidade combina aulas virtuais (até 50% da carga horária), atividades presenciais físicas obrigatórias (mínimo de 30%, como estágios, extensão e práticas laboratoriais) e atividades síncronas mediadas (20%).
- EAD: caracterizado pela maior parte da carga horária a distância, mas com um novo limite mínimo obrigatório de 20% de atividades presenciais e/ou síncronas mediadas (aulas online ao vivo e interativas com controle de frequência). As provas presenciais continuam sendo exigidas.
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Foco na qualidade e infraestrutura:
- Polos de apoio presencial: haverá regras mais rígidas para os polos de EAD, que deverão ter infraestrutura mínima adequada, como salas de coordenação, ambientes de estudo, laboratórios e acesso à internet. O compartilhamento de polos entre diferentes instituições não será mais permitido. O MEC estima que metade dos atuais polos possa ser fechada devido às novas exigências.
- Avaliações: cada disciplina a distância deverá ter pelo menos uma avaliação presencial, que deverá ter o maior peso na nota final do aluno.
- Corpo docente e mediação pedagógica: a política visa valorizar o corpo docente, exigindo um número adequado de professores por aluno. Surge a figura do “mediador pedagógico”, que apoiará a aprendizagem dos estudantes, devendo ter formação compatível com o curso e vínculo com a instituição. Os tutores terão suas funções limitadas a tarefas administrativas.
- Atividades Síncronas Mediadas: são atividades online interativas, em tempo real, com grupos reduzidos de até 70 alunos por mediador, apoio pedagógico e controle de frequência.
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Restrições para licenciaturas e área da saúde: além dos cinco cursos proibidos em EAD, os demais cursos da área de Saúde e as Licenciaturas (formação de professores) só poderão ser ofertados nos formatos presencial ou semipresencial, com a carga horária a distância não ultrapassando 50% do total.
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Período de transição: as instituições de ensino terão um prazo de dois anos para se adaptarem gradualmente às novas regras. Os estudantes já matriculados em cursos EAD que sofrerão alterações poderão concluir suas graduações no formato em que iniciaram.
Objetivos da Nova Política Educação a Distância
Segundo o governo, a reformulação visa garantir maior qualidade e eficiência na oferta de cursos a distância, considerando o EAD uma ferramenta estratégica para ampliar o acesso ao ensino superior no Brasil. Busca-se também responder a preocupações sobre a precarização do ensino em algumas áreas e garantir que a formação, especialmente em cursos com grande impacto social, tenha a devida base prática e teórica.
Essa nova política representa uma mudança significativa no cenário do ensino a distância no país, com potencial impacto tanto para as instituições de ensino superior quanto para os atuais e futuros estudantes.
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